eleições 2018 · Violência

Investigadores e policiais são presos por contrabando; há um arquiteto e um policial civil entre presos por pornografia infantil

Investigadores e policiais são presos por contrabando; há um arquiteto e um policial civil entre presos por pornografia infantil

Sinopse MS

Edição: Sérgio Botêlho

Manchete e submanchetes do portal do Correio do Estado.

Operação nacional. Entre presos por pornografia infantil há arquiteto e policial civil

TRANSPORTES. Prefeitura realiza sorteio de vagas em concorrência de táxi e mototáxi. Neste sábado serão oferecidas 183 vagas de táxi, enquanto para mototáxi serão 141/

DOURADOS. Governo libera R$ 32 mi para reforma de aeroporto no interior. Pista em Dourados tem limitação para dias de chuva/

EM PONTA PORÃ. Comerciante de carros usados é executado com sete tiros. Motivações do crime são investigadas; arma foi localizada/

‘QUADRILHA DE FARDA. ‘Corregedoria inicia processo para avaliar expulsão de PMs/

Justiça.TRF4 nega último recurso e autoriza prisão de José Dirceu/

OPORTUNIDADE. Imasul abre seleção para contratação temporária, com salário de até R$ 2,6 mil/

Número de homicídios no Brasil é 5 vezes maior que a média mundial/

Anúncio oficial. Brasil não poderá exportar pescados para a União Europeia/

EM PONTA PORÃ. Paulista vestido de padre é preso tentando traficar/

Segurança pública. Secretário pretende armar até guardas das escolas/

BALANÇO CEASA. Compilação produzida pela Conab apresenta dados de comercialização. Região Sudeste continua liderança, responsável por 55% da produção/

‘QUADRILHA DE FARDA. ‘Corregedoria inicia processo para avaliar expulsão de PMs presos. Segundo comandante-geral, não há prazo para conclusão dos processos/

FUNDO ESPECIAL. Emendas parlamentares somam R$ 1,78 milhão em repasses para saúde. Rio Brilhante, Sidrolândia e Campo Grande concentraram valores.

Manchete e submanchetes do jornal Correio do Estado

Capa

Policiais civis também atuavam em contrabando. Corrupção. Os 21 policiais militares presos anteontem não são os únicos agentes públicos envolvidos na facilitação de contrabando de cigarros paraguaios. Integrantes da Polícia Civil também atuavam no esquema, confirmou a Secretaria de Justiça e Segurança Pública/

Investigadores são alvo de operação contra pornografia infantil. Em Mato Grosso do Sul, sete pessoas (foto) foram presas como parte de operação nacional de combate à pornografia infantil na internet. Pelo menos dois dos suspeitos (um deles preso) são policiais civis. Em todo o Brasil, são 132 envolvidos/

Na prisão. Lula perde regalias que tinha por ser ex-presidente/

Crédito. Empresas terão R$ 10 bilhões com Cadastro Positivo/

Caiu para 8,4%. Pesquisa aponta redução do desemprego em MS/

Campo Grande. Câmara aprova eleições diretas para diretor no município/

Odilon só aceita alianças com “boas intenções”/

No estado. Seca deve elevar preço do leite em 7,43%/

Águas quer reajuste. Sem poder cobrar a tarifa mínima de água (foto) e esgoto, a Águas Guariroba insiste no reajuste para a prestação dos dois serviços. a concessionária já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter decisão sobre extinção da cobrança mínima/

Massa de ar frio chega ao Estado neste fim de semana.

Página 3 – Política

Eleições 2018. Odilon diz que só aceita DEM se aliança for com boas intenções. Juiz federal esteve em Dourados para receber a visita do candidato à Presidência Álvaro Dias. Agenda presidenciável. Odilon esteve em Dourados para receber o senador e pré-candidato à Presidência da República Álvaro Dias (Podemos). O partido declara apoio ao juiz, porém, Odilon foi categórico ao dizer que mantém o apoio ao pré-candidato do seu partido, Ciro Gomes/

Le Monde. Jornal francês publica manifestos por liberdade e candidatura de Lula. Hollande, ex-presidente da frança, foi um dos defensores do petista.

Manchete e submanchetes do portal MidiaMax. Policial, engenheiro e arquiteto estão entre presos em MS por suspeita de pedofilia. Suspeitos devem permanecer presos/

Lá vem frio: fim de semana em MS terá chuvas no sábado e mínima de 5°C no domingo. Frente fria chega nesta sexta-feira e as temperaturas caem acentuadamente no domingo/

Jovem encontrada decapitada foi ameaçada por traficante de drogas, aponta investigação. Joice foi encontrada decapitada e com as mãos amarradas para trás/

Engenheiro diz que baixava pornôs enquanto dormia e ‘não sabia que tinham crianças’. Foi decretada prisão preventiva dele/

Imasul abre processo seletivo para analista e técnico com salário de até R$ 2,6 mil/

Com três mortes confirmadas em uma semana, vítimas da gripe chegam a 10 em MS/

Suspeito de ligação com o Estado Islâmico será transferido para presídio de MS.

Manchete e submanchetes do portal Campo Grande News

“Luz da Infância 2”. Operação contra pedofilia prende 7 e recolhe vasto material em MS/

Ponta Porã-Pedro Juan. Carne contrabandeada que entrou por MS provoca crise no Paraguai/

“É PM prendendo PM”. Comandante admite dificuldade para substituir praças presos em operação/

Educação. Após polêmica, Câmara aprova eleição para diretores de escolas e Ceinfs.

Política · Sociedade · Violência

Violência pode virar marca, para a história, das eleições 2018

Sérgio Botêlho

Enquanto o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, registrou queixa pública, nessa terça-feira, 27, contra ameaças que sua família estaria sofrendo, a caravana do ex-presidente Lula em peregrinação pelo Sul do país foi atacada a tiros, também nessa terça-feira, 27.

Antes disso, no dia 14 passado, a vereadora carioca Marielle Franco, filiada ao PSOL, foi assassinada no Rio de Janeiro, num crime até agora insolúvel, mas com nítidos contornos de uma execução motivada pela militância política da vítima.

Há quem tema a possibilidade de o pleito presidencial de 2018 transcorrer em clima de violência inusitada na história mais recente do país. Tudo isso, não bastasse a violência provocada pela criminalidade que apavora a Nação e que não tem estado de preferência.

Amanhã, quinta-feira, 29, é feriado em Brasília. Contudo, após a Semana Santa tem prevista a sessão do Supremo Tribunal Federal que vai julgar o habeas corpus interposto pela defesa de Lula contra a prisão do ex-presidente.

Dessa forma, será uma semana de intensa mobilização, tanto dos adversários quanto dos aliados de Lula, e, qualquer que seja o resultado do debate e da votação entre os ministros, haverá de restar insatisfação.

Também a próxima semana será a última para a mudança de partidos, quando vai ser possível enxergar melhor o quadro de candidatos presidenciais. A partir daí o quadro político tende a ficar cada vez mais tenso, no rumo da eleição de outubro.

A torcida é para que o clima esfrie um pouco a fim de que possamos ter uma campanha livre da violência. Porém, as perspectivas não são boas, com relação a isso. Melhor seria que todos os atos criminosos sejam, desde agora, devidamente punidos. Senão, a violência pode virar marca, para a história, das eleições 2018.

Política · Violência

Pauta da Câmara é dominada por Segurança Pública; senadores querem mais.

Plenário da Câmara dos Deputados

Os projetos de iniciativa popular podem ter sua concepção facilitada caso seja aprovado, pela Câmara, projeto de Lei do Senado que abre a possibilidade de coleta de assinaturas eletrônicas de eleitores para a apresentação desses projetos.

Atualmente somente é possível a coleta de assinaturas manuscritas para projetos de iniciativa popular. A proposta pode ser apreciada esta semana no plenário da Casa.

Outra proposta importante que pode ser votada esta semana, no plenário da Câmara, é a que cria o Sistema Único de Segurança Pública. A proposta visa integrar as ações dos diversos órgãos envolvidos no combate ao crime, prevendo operações combinadas e desencadeadas em equipe.

No projeto, também são previstas estratégias comuns para o trabalho de prevenção e no controle qualificado de infrações penais. E, ainda, compartilhamento de informações e intercâmbio de conhecimentos técnicos e científicos.

Outro projeto sobre segurança pública pautado é o que cria a Política Nacional de Dados e Informações Relacionadas à Violência contra as Mulheres com a finalidade de reunir, organizar, sistematizar e disponibilizar dados e informações referentes a todos os tipos de violência contra as mulheres.

A proposta conceitua violência contra a mulher como ato ou conduta praticados por razões da condição de sexo feminino que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.

Apesar da pauta, senadores pedem pressa, aos deputados, para projeto que leva crimes de milícias para a Polícia Federal. O objetivo de apressar a tramitação do projeto, na Câmara, ganha ainda mais força diante do bárbaro assassinato da vereadora Marielle Franca, no Rio de Janeiro.

O projeto já foi aprovado no Senado e determina que a Polícia Federal será responsável por investigar crimes cometidos por milícias. Caso o projeto já houvesse sido aprovado, o assassinato de Marielle Franco seria automaticamente investigado pela Polícia Federal. Forte abraço a todos.

Economia · Política

Destaque: Boeing quer inclusão de área militar da Embraer em negócio das duas empresas e proposta deve gerar resistência no Brasil.

Boeing quer incluir setor militar da Embraer em negócio entre as duas empresas
Boeing quer incluir setor militar da Embraer em negócio entre as duas empresas

Sérgio Botêlho

Jornais da grande mídia abrem suas manchetes nesta terça-feira, 02, com 3 dos temas que estarão entre os mais destacados durante o ano: a violência, a política e a economia.

“Rebelião deixa 9 mortos em cadeia de Goiás Ano novo repete 2017 e começa com motins”, diz a manchete de O Globo. “Nome do PSDB tem de ter viabilidade eleitoral, diz FHC. O ex-presidente afirmou que o governador Alckmin ainda precisa provar ser capaz de aglutinar o centro do espectro político e de ‘transmitir uma mensagem’”, conta a manchete do Estadão. “Oferta da Boeing inclui área militar da Embraer. Acordo amplo deve sofrer resistências do governo, que teme por soberania”, informa a manchete da Folha.

*Outros destaques*

*ECONOMIA*. Alimentos, luz e gasolina serão vilões da inflação. Velocidade de trens no País é a menor em 15 anos. A renovação das concessões visa a estabelecer níveis de qualidade de serviço, além de multas altas se as metas não forem cumpridas. Transação acima de R$ 30 mil deve ser declarada à Receita Federal. Acima de todas as expectativas, venda de veículos cresce em 2017.

*POLÍTICA*. Lydia Medeiros: Cinco deputados federais devem deixar PMDB do Rio (a matéria, em O Globo) não nomeia os cinco. Metas de Crivella para o Rio ficam só no papel em seu primeiro ano (em O Globo).

*SAÚDE*. A partir de hoje, mais oito medicamentos para câncer e um remédio imunobiológico para esclerose múltipla terão de ser cobertos por planos de saúde, segundo rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (No Estadão).

*VIOLÊNCIA*. Com Exército em patrulha Natal vive dia de calmaria (Na Folha). Rebelião em Goiás mata 9, deixa 14 feridos e 106 presos escapam (Na Folha).

*INTERNACIONAL*. Protestos já têm 13 mortes e 400 detidos no Irã (Em O Globo). King Jong-um propõe o diálogo à Coreia do Sul (Na Folha).

*TEMER*. Presidente trata uretra a fim de evitar obstruções (Na Folha).

*LULA*. País não vai tremer se Lula for condenado (No Estadão). Mesmo sem candidato, Centro ataca populismo contra Lula e Bolsonaro (No Estadão). Dirigentes do PT aconselham Lula a se reaproximar do empresariado (Na Folha). PT fará ato extraoficial para abrir o viaduto Dona Marisa Letícia em SP (Na Folha).

 

 

Sociedade · Violência

Combate à violência: estamos agindo certo?

Sérgio Botêlho

A violência abre o ano de 2018 no Brasil mostrando a cara de quem vai fazer muito mal durante os próximos 364 dias. Rio e Goiás abriram a temporada de mortos e feridos por conta da criminalidade.

Não creio que haja desafio maior para as autoridades do que o combate à violência. E não creio, também, que as formas usadas até agora possam, de repente, alcançar um sucesso que nunca conseguiram.

A olhos nus, e, também, nas estatísticas, a violência apenas tem aumentado, apesar de leis cada vez mais rigorosas e do Exército na linha de frente de um combate que não cabe exatamente ao papel previsto constitucionalmente às forças armadas.

Portanto, até agora o que se tem feito no Brasil para combater a violência é mais do mesmo: polícia nas favelas, muito criminoso preso, os mais perigosos, isolados, e cada vez mais definições precisas de novos crimes, na lei, capazes, por sua vez, de levar mais gente à cadeia.

A ineficácia do combate à violência tem, ainda, fortalecido discursos justificadores equivocados de mais abertura para a compra de armas, no país, supostamente para fazer com os cidadãos possam se defender dos criminosos. Na verdade, a pior saída de todas.

Ao mesmo tempo, critica-se sempre mais fortemente o Judiciário, com acusações a juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores como supostamente lenientes com o crime. O lado eficiente seria o da polícia, que prende, já que os juízes apenas soltam.

Para comprovar que a Justiça brasileira tem agido, de conformidade com a lei, é que o Brasil alcançou a expressiva marca, sem nenhum motivo para orgulho, de segundo país do mundo em número de presos, estes, amontoados em cadeias públicas e penitenciárias superlotadas.

Por outro lado, a polícia é a parte mais sacrificada nessa guerra insana e ineficiente contra as drogas, onde se continua apenas enxugando gelo. Todos os dias morrem policiais, difíceis de serem recrutados e treinados, o que não acontece com a tropa de traficantes.

Na verdade, a miséria é o espaço onde a violência costuma recrutar mais soldados. Quanto mais miséria, maior é o exército de reserva para a criminalidade. Todos os dias, novos assaltantes e traficantes ingressam no mundo do crime, suprindo, com vantagem, os que morrem ou são presos. A miséria não para, e o tráfico, também.

Algumas perguntas tão antigas quanto a vontade populista de levar mais gente ainda às cadeias continuam se impondo. Em primeiro lugar: o que estamos fazendo concretamente para reduzir as desigualdades sociais e regionais, no Brasil?

Outra pergunta: temos uma política correta, do ponto de vista do combate efetivo ao crime, a partir de nossa legislação antidrogas? Ou, ao invés de procurarmos aumentar os rigores da lei, já cabalmente revelada como medida ineficiente, não seria necessária a descriminalização das drogas?

Para os que consideram que a proposta de descriminalização das drogas não conseguirá por um fim ao consumo, se impõe outra pergunta: em que ano e onde houve queda no consumo de drogas, no Brasil, com a atual política para o setor?

Diferentemente disso, o que existe no Brasil, mesmo com todo o rigor da lei, é uma quantidade cada vez maior de gente na cadeia, e, mesmo assim, cada vez mais gente traficando drogas, porque tem cada vez mais gente consumindo, cada vez mais gente na miséria, num ciclo que não se esgota, nunca. Apenas, se expande.

O que seria mais importante, agora, dentro de uma política de redução de danos, diminuir o consumo ou trabalhar para desmantelar o tráfico, reduzindo, ao mesmo tempo, milhares de mortes de consumidores e, ainda, de gente inocente, nas mãos de traficantes impiedosos frente ao não pagamento das drogas?

Creio que essas são perguntas que continuarão sendo feitas, em 2018, e que devem ser respondidas com o máximo de pragmatismo possível, sem conjecturas hipócritas ou eleitoreiras, ideológicas ou meramente de cunho religiosas.

Isto, se quisermos tirar o Brasil desse quadro dantesco, do ponto de vista da violência instalada do Oiapoque ao Chuí. 

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Racismo e preconceito: males que nos afligem

Contra o preconceito e o ódio
Foto do site http://www.grupoescolar.com/

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião”. Foi o que, repetindo Mandela, o grande líder contra o apartheid da África do Sul, o ex-presidente norte-americano Barack Obama postou no twitter, para sucesso absoluto de seu post, referindo-se às manifestações racistas em Charlottesville, na Virgínia.

A frase, que encerra uma verdade inquestionável, lembra que nenhuma criança nasce racista ou radical religioso; isso, até que a família e a sociedade o modifique. Ou seja: havendo ambiente saudável de respeito às diferenças de crença ou de cor da pele, jamais uma criança se tornará um adulto racista ou excludente religioso.

A luta contra o apartheid na África do Sul, e, um pouco antes, no próprio Estados Unidos da América, na sangrenta cruzada universal contra o nazifacismo, ou nos embates contra o terrorismo que se utiliza da religião para agir, embora não devesse, parece muito distante, ainda, de construir uma consciência efetivamente universal de respeito às desigualdades.

Com efeito, não apenas nos Estados Unidos da América, mas, em diversos países do mundo, grupos radicalizados defensores de exclusivismos político, de gênero, religioso ou de cor da pele, agem, normalmente, com extremadas manifestações de ódio e violência para impor suas esquisitices.

Não é pessimismo considerar que ainda por muito tempo essas manifestações continuarão a pontificar mundo afora. E o que é pior: produzindo vítimas na esteira de espetáculos invariavelmente bizarros, desumanos e, mais do que tudo, extemporâneos, e, apenas, ridículos se não fossem trágicos.

Fora da casinha, esse tipo de pensamento exclusivista não agride apenas as consciências socialistas e libertárias. Agride, também, a própria construção do liberalismo econômico que, para que tenha sucesso, necessita indiscriminadamente de todas as cabeças pensantes, pertençam a que religião, a que gênero ou a que cor da pele pertencerem.

O racismo e o preconceito são raciocínios absolutamente nocivos ao futuro da Terra, uma vez que podem nos encaminhar, por conta do irracionalismo e da radicalização de seus atos, se necessário for, a uma guerra sem fim, não importando, para eles, se, ao fim e ao cabo, a humanidade vai sucumbir.

Penso que, quanto mais esse tipo de posicionamento for contestado, menos chance terá de continuar crescendo. Denunciar o racismo, o ódio e o preconceito, pois, deve ser obrigação de todos aqueles que amam a liberdade e acreditam em um futuro mais feliz e mais próspero pata a humanidade como um todo.

Sérgio Botêlho

 

 

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Liberdade e democracia devem ser as armas da resistência ao ódio e ao terrorismo

Os iluministas na construção da liberdade e da democracia
Os iluministas na construção da liberdade e da democracia

Há, nos últimos dias, uma lista de acontecimentos trágicos a perturbar a paz na Terra, por que atentam contra os princípios humanos mais básicos do respeito à vida, e, principalmente, ao direito à liberdade e à democracia.

Em sua totalidade, os mais recentes episódios com mortos e feridos têm origem no ódio e no preconceito, sentimentos que deveriam ser estranhos ao humano. Mas, que, infelizmente, não é assim que acontece.

Os fatos sangrentos mais recentes ocorreram em Charlottesville, cidade considerada, até semana passada, o melhor lugar para se viver nos EUA, em Barcelona, metrópole de dezenas de línguas, na Espanha, em Ouagadougou, capital de Burkina Faso e em Surgut, na Sibéria.

Atentados anteriores nos Estados Unidos, na França, na Grã-Bretanha, na Suécia, em Berlim, em Bruxelas, na Dinamarca, em países africanos e no Oriente Médio, seguem o mesmo script terrível: grupos religiosos e/ou ideológicos se acham no direito de exterminar quem não pensa como eles.

Não diferem, em absolutamente nada, nem na forma de agir, com experiências autoritárias, ou bem perto disso, como na Coreia do Norte, na Venezuela, em alguns países árabes e africanos, ou na América Latina de tempos atrás.

Seja qual lado defendam, os extremistas raciocinam de forma idêntica: nós, que estamos certos, somos donos da Verdade, ou por revelação ou por inteligência, temos de nos livrar, seja lá como for, daqueles que ainda não tiveram a suprema iluminação de pensarem iguais a nós, ou por que são “burros” ou por que são “mal influenciados”.

Daí, tratam simplesmente de tirar de circulação ou de eliminar os adversários “burros” ou “mal influenciados” do caminho, pela cadeia ou pela eliminação física. No caso do terrorismo, um objetivo tático a mais: levar, pelo assassinato de inocentes, o pânico e o medo ao campo adversário.

É mais do que tempo de os indivíduos de boa vontade agirem contra o ódio e a intolerância, seja ela que matiz ideológica ou religiosa venha a ter, por que a violência e o autoritarismo nunca construíram e jamais irão construir algo de importante para o futuro. Apenas se dedicam a destruir.

Mesmo com todas as guerras já acontecidas, e alvo constante de ataques terroristas, e, ainda, com todos os defeitos naturais às comunidades humanas, o Ocidente é o que é hoje na Ciência e na Tecnologia exclusivamente por conta do respeito que ainda mantem pela liberdade.

A crescente corrente em favor do respeito à diversidade humana vem fazendo com que a ciência e a economia possam desfrutar das melhores cabeças para novas descobertas científicas, novas tecnologias, novos modelos econômicos, e novas práticas de negócios. Enquanto países autoritários excluem, e perdem inteligências, o Ocidente busca sempre mais incluir, aproveitando todo a inteligência à disposição.

Não é possível vencer mais essa quadra obscura da humanidade sem isso, quer dizer, sem a defesa cada vez mais intransigente da liberdade e da democracia, pois foi assim que viemos nos construindo nos últimos séculos e é assim que continuaremos a construir o futuro.

Corajoso e determinado, o presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, em meio ao luto no país, declarou que a resistência do seu país ao terrorismo se dará exatamente com democracia e liberdade, como realmente deve ser.

Nas ruas, o povo espanhol chora os seus mortos, mas, destemido, aproveita para declarar amor incondicional à liberdade e à democracia, assim como já fizeram os povos franceses, belgas, ingleses, e muitos outros, em situações semelhantes.

Liberdade e democracia, cada vez mais ampla, geral e irrestrita, deve ser a palavra de ordem a conduzir nossa rebeldia permanente contra o ódio e a violência como forma de estabelecer crenças ideológicas ou religiosas. Creio que é assim que devem agir todos os que creem num futuro melhor, ao menos, para os nossos netos.

Sérgio Botêlho