Política · Violência

Sinopse das revistas: Veja destaca relações entre homens e mulheres, avalia perspectivas jurídico-políticas de Lula, saúde de Temer, presídios e crise no RN

Revistas: Veja destaca relações entre homens e mulheres, avalia perspectivas jurídico-políticas de Lula, saúde de Temer, presídios e crise no RN
Veja aborda assédio sexual

Única revista a circular às sextas-feiras, a Veja dedica sua capa à questão das relações entre homens e mulheres no mundo atual, que, segundo destaca a publicação, “está passando por uma mudança radical”, o que pressupõe um “novo código de conduta entre os sexos”. A revista enfoca a questão do assédio sexual e da reação das mulheres.

A pubolicação aborda, ainda, em sua capa, o julgamento do ex-presidente Lula, que está marcado para o próximo dia 24, e se propõe a analisar “o que acontecerá com o ex-presidente se for absolvido, se for condenado por maioria ou se for condenado por unanimidade”.

Em suas páginas internas a Veja realça a iniciativas do Centro para encontrar um candidato, a situação de saúde do presidente Temer, a nova crise nas penitenciárias, e a crise vivida pelo Rio Grande do Norte.

*Veja*. *“O novo código de conduta entre os sexos. Na era da intolerância ao assédio e da crescente afirmação feminina, a convivência entre homem e mulher está passando por uma mudança radical. ”*. Essa é a matéria de capa da revista, com foto de rua, com destaque para uma moça passando e um rapaz, olhando.

*Outras chamadas de capa*:

“O labirinto de Lula. O que acontecerá com o ex-presidente se for absolvido, se for condenado por maioria ou se for condenado por unanimidade”.

*Destaques internos*:

“Entre a cadeia e o Planalto. O julgamento do ex-presidente Lula no próximo dia 24 pelo TRF4 decidirá o futuro do petista e os contornos do cenário das eleições presidenciais”;

“_Em busca do centro. A falta de empolgação do eleitor com pré-candidatos do campo do meio faz FHC admitir apoio a um não tucano e Maia se colocar como opção_”;

“Como vai o presidente. Temer é acometido por uma infecção urinária depois de três internações em três meses e sua saúde vira alvo de especulações em Brasília”;

“_“Feliz Ano-Novo aí”. Goiânia abre a temporada das rebeliões em presídios e, em mensagens no WhatsApp, presos comentam a festa regada a bebida alcoólica que antecedeu o motim_”;

“Epidemia de falências. Agora é a vez de os habitantes do Rio Grande do Norte sofrerem na pele as consequências dramáticas da inabilidade de seus governantes;

“_Não, senhores, não pode mais. Denúncias de assédio sexual e as novas condutas pautadas pelo feminismo fazem empresas vetar caronas, beijinhos e outras interações entre homens e mulheres_”.

 

 

Cultura · Economia · Internacional · Música

Coreia do Sul: BTS ou Beyond The Scene estoura no mundo. Brasil: Anitta segue na trilha.

Bangtan Boys ou Beyond The Scene
BTS ou Bangtan Boys ou Beyond The Scene

Sérgio Botêlho

Há um fenômeno pop em ascensão no mundo, que, junto com ele, vem carregando o seu país de origem a reboque, para o bem da cultura e da economia local. Esse fenômeno chama-se BTS, ou, Bangtan Boys ou Beyond The Scene

Trata-se de uma banda sul-coreana formada por jovens que fazem coreografias no palco debaixo de feéricos jogos de luzes e efeitos visuais, que estão enlouquecendo os jovens ao redor do mundo. Uma velha fórmula que continua dando certo.

Suas músicas misturam o inglês com o sul-coreano, repetindo uma prática que vem sendo utilizada por grupos musicais de vários países, buscando, com isso, alcançar, pelo inglês, o maior número de pessoas possíveis, ao redor do mundo, levando a reboque a língua pátria.

Nas redes sociais, o sucesso da banda fica bem claro, no Brasil, com o sucesso da hashtag #BrasilPromoveBTS, pelo qual as jovens fãs locais, que se chamam B-Armys (com seu canto próprio chamado “fanchant”), estão promovendo o grupo para despertar o interesse em traze-los para uma turnê pelo país.

O BTS é composto por sete jovens, todos da Coréia do Sul, a saber: Jin, Suga, J-Hope, RM (Kim Nam-joon), Jimin, V (Kim Tae-hyung) , e Jungkook. Formado em 2013, o ano de 2017 parece ter sido o de maior prestígio internacional.

O bem que faz à economia da Coreia do Sul a ascensão internacional do grupo deve ser espetacular. Penso que é o mesmo bem que pode fazer, ao Brasil, a ascensão de Anitta, no cenário internacional.

É o mesmo bem que por exemplo fizeram ou fazem, ao Brasil, artistas do quilate de Tom Jobim, maestro Moacir, João Gilberto, Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso, entre outros.

Não somente na música, mas, também, no cinema, é hora de o Brasil dar mais atenção ao seu segmento cultural buscando, principalmente, ficar bem longe de manifestações de ódio e de intolerância alicerçados em ideologias ou em dogmas religiosos absolutamente inúteis.

 

 

#BTS #BangtanBoys #BeyondTheScene #CoreiadoSul #BrasilPromoveBTS #B-Armys #Anitta

Sociedade

Na base do ‘eu tenho saudade de” ou “não tenho saudade de”, como planejar o “esse ano eu pretendo”?

Todo começo do ano a gente exercita desejos de mudança que começam com o esse ano eu pretendo… O mais comum é a gente pretender melhorar a saúde e ganhar dinheiro. Acho que não há duas variáveis pessoais mais interessantes, entra ano e sai ano, do que essas duas quando o assunto é ano novo.

Pensar o futuro é exercício que exige muita reflexão, mas, também que traz muito prazer. Principalmente porque, ao pensar o futuro, e pensar as prioridades da mudança, a gente se envolve de tal forma que passa a viver as quimeras como se já realizadas estivessem. E isso é motivo de contentamento.

Na construção desse futuro mudancista, convém pensar no que deu e no que não deu certo, anteriormente. Talvez seja melhor escrever dois tópicos e alinhar o que a gente fez nos últimos tempos. Dois tópicos tipo “tenho saudade de” e “não tenho saudade de”. Simples, assim. Aí, é só ir relacionando os fatos passados em um ou em outro item.

A vida, afinal, ela não deve simplesmente ser levada ao livre sabor dos acontecimentos. Planejamento, embora grande parte das coisas aí relacionadas não chegue a ser concretizado, é de fundamental importância para que haja o mínimo de controle sobre nossas próprias ações, em busca da felicidade.

Refazer o planejamento, constantemente, ao longo do ano, é outro fator imperativo, afinal de contas, a realidade acaba atuando de forma decisiva sobre a manutenção ou a permanência dos planos que fazemos logo no início de cada um dos períodos de 365 dias, avante, no calendário.

 

Emprego

60 vagas de emprego em João Pessoa

Empregos
Empregos

O Sistema Nacional de Emprego de João Pessoa (Sine-JP) oferece a partir desta terça-feira (2), 60 novas vagas de emprego. Há oferta para candidatos de todos os níveis de escolaridade e que tenham ou não experiência prévia na função.

A função com mais oportunidades é a de vendedor externo, com 18 vagas. Há ainda vagas para analista fiscal, manicure, costureira, cozinheiro, mecânico de automóveis, cinegrafista, entre outros.

O Sine-JP funciona na Avenida Cardoso Vieira, 85, Varadouro, e atende das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira. O trabalhador deve apresentar RG, CPF e Carteira de Trabalho.

Para concorrer às oportunidades em que o empregador exige apenas o currículo, o interessado deve enviá-lo para o endereço sinejp.imo@joaopessoa.pb.gov.br.

As empresas que desejam anunciar vagas de empregos devem informar seus dados e as exigências das funções para o e-mail sinejp.imo@joaopessoa.pb.gov.br. Os telefones para contato do setor de captação de vagas são: 3214-1712; 3214-3214 ou 3214-1809. O serviço é gratuito.

 

 

 

Economia · Política

Destaque: Boeing quer inclusão de área militar da Embraer em negócio das duas empresas e proposta deve gerar resistência no Brasil.

Boeing quer incluir setor militar da Embraer em negócio entre as duas empresas
Boeing quer incluir setor militar da Embraer em negócio entre as duas empresas

Sérgio Botêlho

Jornais da grande mídia abrem suas manchetes nesta terça-feira, 02, com 3 dos temas que estarão entre os mais destacados durante o ano: a violência, a política e a economia.

“Rebelião deixa 9 mortos em cadeia de Goiás Ano novo repete 2017 e começa com motins”, diz a manchete de O Globo. “Nome do PSDB tem de ter viabilidade eleitoral, diz FHC. O ex-presidente afirmou que o governador Alckmin ainda precisa provar ser capaz de aglutinar o centro do espectro político e de ‘transmitir uma mensagem’”, conta a manchete do Estadão. “Oferta da Boeing inclui área militar da Embraer. Acordo amplo deve sofrer resistências do governo, que teme por soberania”, informa a manchete da Folha.

*Outros destaques*

*ECONOMIA*. Alimentos, luz e gasolina serão vilões da inflação. Velocidade de trens no País é a menor em 15 anos. A renovação das concessões visa a estabelecer níveis de qualidade de serviço, além de multas altas se as metas não forem cumpridas. Transação acima de R$ 30 mil deve ser declarada à Receita Federal. Acima de todas as expectativas, venda de veículos cresce em 2017.

*POLÍTICA*. Lydia Medeiros: Cinco deputados federais devem deixar PMDB do Rio (a matéria, em O Globo) não nomeia os cinco. Metas de Crivella para o Rio ficam só no papel em seu primeiro ano (em O Globo).

*SAÚDE*. A partir de hoje, mais oito medicamentos para câncer e um remédio imunobiológico para esclerose múltipla terão de ser cobertos por planos de saúde, segundo rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (No Estadão).

*VIOLÊNCIA*. Com Exército em patrulha Natal vive dia de calmaria (Na Folha). Rebelião em Goiás mata 9, deixa 14 feridos e 106 presos escapam (Na Folha).

*INTERNACIONAL*. Protestos já têm 13 mortes e 400 detidos no Irã (Em O Globo). King Jong-um propõe o diálogo à Coreia do Sul (Na Folha).

*TEMER*. Presidente trata uretra a fim de evitar obstruções (Na Folha).

*LULA*. País não vai tremer se Lula for condenado (No Estadão). Mesmo sem candidato, Centro ataca populismo contra Lula e Bolsonaro (No Estadão). Dirigentes do PT aconselham Lula a se reaproximar do empresariado (Na Folha). PT fará ato extraoficial para abrir o viaduto Dona Marisa Letícia em SP (Na Folha).

 

 

Sociedade · Violência

Combate à violência: estamos agindo certo?

Sérgio Botêlho

A violência abre o ano de 2018 no Brasil mostrando a cara de quem vai fazer muito mal durante os próximos 364 dias. Rio e Goiás abriram a temporada de mortos e feridos por conta da criminalidade.

Não creio que haja desafio maior para as autoridades do que o combate à violência. E não creio, também, que as formas usadas até agora possam, de repente, alcançar um sucesso que nunca conseguiram.

A olhos nus, e, também, nas estatísticas, a violência apenas tem aumentado, apesar de leis cada vez mais rigorosas e do Exército na linha de frente de um combate que não cabe exatamente ao papel previsto constitucionalmente às forças armadas.

Portanto, até agora o que se tem feito no Brasil para combater a violência é mais do mesmo: polícia nas favelas, muito criminoso preso, os mais perigosos, isolados, e cada vez mais definições precisas de novos crimes, na lei, capazes, por sua vez, de levar mais gente à cadeia.

A ineficácia do combate à violência tem, ainda, fortalecido discursos justificadores equivocados de mais abertura para a compra de armas, no país, supostamente para fazer com os cidadãos possam se defender dos criminosos. Na verdade, a pior saída de todas.

Ao mesmo tempo, critica-se sempre mais fortemente o Judiciário, com acusações a juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores como supostamente lenientes com o crime. O lado eficiente seria o da polícia, que prende, já que os juízes apenas soltam.

Para comprovar que a Justiça brasileira tem agido, de conformidade com a lei, é que o Brasil alcançou a expressiva marca, sem nenhum motivo para orgulho, de segundo país do mundo em número de presos, estes, amontoados em cadeias públicas e penitenciárias superlotadas.

Por outro lado, a polícia é a parte mais sacrificada nessa guerra insana e ineficiente contra as drogas, onde se continua apenas enxugando gelo. Todos os dias morrem policiais, difíceis de serem recrutados e treinados, o que não acontece com a tropa de traficantes.

Na verdade, a miséria é o espaço onde a violência costuma recrutar mais soldados. Quanto mais miséria, maior é o exército de reserva para a criminalidade. Todos os dias, novos assaltantes e traficantes ingressam no mundo do crime, suprindo, com vantagem, os que morrem ou são presos. A miséria não para, e o tráfico, também.

Algumas perguntas tão antigas quanto a vontade populista de levar mais gente ainda às cadeias continuam se impondo. Em primeiro lugar: o que estamos fazendo concretamente para reduzir as desigualdades sociais e regionais, no Brasil?

Outra pergunta: temos uma política correta, do ponto de vista do combate efetivo ao crime, a partir de nossa legislação antidrogas? Ou, ao invés de procurarmos aumentar os rigores da lei, já cabalmente revelada como medida ineficiente, não seria necessária a descriminalização das drogas?

Para os que consideram que a proposta de descriminalização das drogas não conseguirá por um fim ao consumo, se impõe outra pergunta: em que ano e onde houve queda no consumo de drogas, no Brasil, com a atual política para o setor?

Diferentemente disso, o que existe no Brasil, mesmo com todo o rigor da lei, é uma quantidade cada vez maior de gente na cadeia, e, mesmo assim, cada vez mais gente traficando drogas, porque tem cada vez mais gente consumindo, cada vez mais gente na miséria, num ciclo que não se esgota, nunca. Apenas, se expande.

O que seria mais importante, agora, dentro de uma política de redução de danos, diminuir o consumo ou trabalhar para desmantelar o tráfico, reduzindo, ao mesmo tempo, milhares de mortes de consumidores e, ainda, de gente inocente, nas mãos de traficantes impiedosos frente ao não pagamento das drogas?

Creio que essas são perguntas que continuarão sendo feitas, em 2018, e que devem ser respondidas com o máximo de pragmatismo possível, sem conjecturas hipócritas ou eleitoreiras, ideológicas ou meramente de cunho religiosas.

Isto, se quisermos tirar o Brasil desse quadro dantesco, do ponto de vista da violência instalada do Oiapoque ao Chuí. 

Economia · Política · Violência

Projeções sobre a política brasileira e internacional apontam disputa feroz entre esquerda e direita

Expectativa geral para 2018: somos todos passageiros

Sergio Botelho

Neste 1º de janeiro de 2017, jornais chegam às bancas cheios de prospecções sobre as aspirações populares, a violência, a política e a economia, no país e no mundo, para 2018. “Reconstrução. Em Copacabana, público estimado em 3 milhões de cariocas e turistas celebra o novo ano com pedidos de mais segurança, empregos e um basta à corrupção”, conta a manchete de O Globo. Operações militares no País triplicam desde 1990. Levantamento do Estado mostra aumento das ações das Forças Armadas no combate ao crime nas ruas”, informa a manchete do Estadão. “Dois em cada três latinos terão novo governo em 2018. Com rumos díspares, países da região realizarão pleitos neste ano, sem promessa de ondas de esquerda ou direita”, avalia a manchete da Folha.

“Rio de Janeiro pode aprender com os erros. Resta saber se a classe política fluminense entende o que se passa, se percebe os erros cometidos e se, portanto, está disposta a não repeti-los”, provoca o editorial de O Globo. “Os primeiros obstáculos importantes à gestão eficiente das contas públicas em 2018 estão localizados no Legislativo e no Judiciário”, prevê o editorial do Estadão. “O país começa 2018 com perspectivas razoáveis na economia, mas sujeito a elevada incerteza política e ao risco de retrocessos”, analisa o editorial da Folha.

“2018 chegou. Mas o “enigma” das eleições, que há bom tempo vem regendo a política e, por tabela, a economia, ainda está longe de ser desvendado”, escreve a colunista Cida Damasco, do Estadão. “O destino político do Brasil e dos EUA depende como nunca do ecossistema digital. Hacking de urnas, exércitos de bots disseminados pelos russos, desinformação epidêmica na rede social são algumas das ameaças à democracia”, pondera a coluna Lúcia Guimarães, também do Estadão.

“O governo Temer vai recuar de uma decisão polêmica, o ministro Gilmar Mendes soltará mais um preso da Lava Jato e a pauta do Congresso se esvaziará durante o ano por causa das eleições”, diz o colunista Leandro Colon, da Folha. “Talvez nunca antes na história deste país o presidente da República no Brasil tenha sido tão poderoso quanto entre 2007 e 2014. De rei do pedaço, o presidente tornou-se quase bobo da corte. Até mesmo síndicos de massa falida precisam de algum poder de decisão”, defende o colunista Vinicius Mota.

Escândalos e virada à direita marcarão ano eleitoral na AL/_ Para o cientista político argentino Federico Merke, não há perspectiva de ondas de esquerda ou direita. “Vejo mais a disputa entre novo e velho, ideologia e pragmatismo”_/Eleitor de Bolsonaro é o mais ativo nas redes, diz Datafolha.  

Bondades de meio bilhão na Saúde: Ministro da Saúde, Ricardo Barros libera recursos de emendas parlamentares no penúltimo dia do ano/_Mesmo com promessa de reduzir pastas, ministérios subiram de 25 para 28 durante o governo Temer_/3 das 5 maiores economias da região irão às urnas — a Argentina ê exceção. México e Colômbia — onde não há reeleição —, além do Brasil, elegerão seus novos presidentes.

Usuários que estejam dispostos a reduzir o gasto de energia no horário de pico do consumo -que ocorre, com alguma variação por Estado, de 17h a 21h- poderão gastar menos com a conta de luz

memória pessoense

MEMÓRIA PESSOENSE: Tragédia na Lagoa

Foto da tragédia da Lagoa, no Youtube

Sérgio Botêlho

Na Semana do Exército de 1975, na véspera do Dia do Soldado, uma tragédia que matou 29 crianças afogadas na Lagoa do Parque Solon de Lucena abalou a sociedade pessoense e repercutiu no Brasil inteiro.

Naquele 24 de agosto, havia uma exposição do Exército na Lagoa, com tanques e armas pesadas. Na Lagoa, uma balsa, originalmente destinada a carregar equipamentos militares, transportava gente para um passeio na lagoa.

Superlotada, em uma de suas viagens, o barco acabou afundando, resultando na trágica morte das 29 crianças. Ao todo, morreram 35 pessoas, entre as quais, um dos bombeiros salva-vidas e uma moça que buscava salvar afogados.

O fato, que procurou ser escondido do noticiário pelas autoridades responsáveis pelo evento, é a existência de muito mais gente do que na balsa cabia, começando a submergir tão logo se afastou da margem.

Esses detalhes, por força do regime autoritário que vigiava o país, não puderam, em sua inteireza, serem convenientemente divulgados, e, de certa maneira, a culpa acabou sendo transferida para as vítimas.

Sugeria o comunicado oficial que uma movimentação emotiva dos ocupantes da barca, diante dos gritos de que havia um início de afundamento, acabou levando todos para um mesmo lado, resultando na tragédia.

Jornais e rádios paraibanos acompanharam os resgates, ao vivo, com farto material fotográfico e relatos de sobreviventes e familiares de vítimas fatais dando depoimentos lancinantes sobre aquela desgraça.

Naquele ano, como bem lembra o jornalista e escritor Gilvan de Brito, amigo de longas datas, em reportagem publicada no PB Agora (nos 40 anos da tragédia, em 24 de agosto de 2015), não houve o tradicional desfile de Sete de Setembro em virtude da forte comoção popular instalada.

Inexplicavelmente, a balsa, além de sobrecarregada, como lembra Gilvan, que estava por lá com seus três filhos pequenos, não possuía coletes salva-vidas, como seria de praxe, o que revela mais uma falha imperdoável das autoridades responsáveis.

Tempos depois, as famílias das vítimas conseguiram decisão judicial favorável a indenizações, que, apensar da justeza, jamais conseguiram apagar as marcas da tragédia ainda hoje lamentada, não somente pelas famílias das crianças que acabaram mortas por afogamento, mas, por toda a sociedade pessoense.

 

memória pessoense

MEMÓRIA PESSOENSE – Pindobal

Pindobal
Pindobal

Sérgio Botêlho

Uma das ameaças mais fortes e eficazes às crianças pessoenses nas décadas de 50 e 60 era Pindobal. “É bom estudar senão você vai para Pindobal”, diziam os pais, estabelecendo um verdadeiro estado de pavor a quem se revelasse preguiçoso para o estudo.

A chantagem acabou criando, sobre a Escola Correcional de Pindobal e o adjacente Abrigo de Menores Jesus de Nazaré, imagem de verdadeiro campo de concentração onde só deviam existir anjos do mal.

As duas instituições funcionavam no município de Mamanguape, na Fazenda Pindobal, que tem esse nome, certamente, por conta de abundante existência, no local, de palmeiras chamadas pindobas, nome dado pelos índios.

Era um horror! O nome Pindobal estabeleceu-se entre a criançada como algo na categoria de um verdadeiro inferno, onde crianças eram colocadas para sofrer, sem parar, apenas por não se disporem ao estudo.

Quem, durante certo tempo, dirigiu Pindobal foi o tenente Lucena, figura extraordinária e sobre a qual já dediquei um desses artigos sobre as memórias pessoenses publicadas aqui nesse espaço do Facebook.

Pois bem. Quando publiquei a memória do Tenente Lucena, tive o prazer da participação, por meio de um post, da amiga, também deste Face, Rosa Virgínia Lins, que, justamente, havia sido aluna do Abrigo de Menores Jesus de Nazaré, e pegou o período da direção do tenente.

Depôs, Rosa, naquele momento: “Concordo em tudo descrito ….episódio a parte…como interna do abrigo de menores Jesus de Nazaré onde tivemos oportunidade de cantar em um coral criado por ele {Tenente Lucena}, contávamos os dias para os ensaios pois nos trazia grande alegria…nos ensinou muito e até criou um meio empolgante de falar cantando nome da instituição nos dando prazer era assim ‘Abrigo de Menores Jesus de Nazaré xiiiiiiiiiiii doooooo’ era só alegria aqueles momentos…”.

Bom. Vocês estão vendo que o cenário de Pindobal não devia ser exatamente o que os pais daquela época pintavam a respeito, se constituindo em abrigo a histórias de pessoas que acabaram tendo, ali, fortes experiências de vida. E mudaram seus futuros.

E, vejam só, encontrei na maravilhosa Internet um manifesto bem recente da autoria de pessoas vinculadas a uma ONG, de nome Pindobal, em Mamanguape, se colocando contrárias à criação, pelo governador Ricardo Coutinho, de um sistema prisional na Fazenda Pindobal.

“Aquele lugar tem história em nossa cidade, onde diversas pessoas de lá saíram e conseguiram uma vida digna”, apelam os signatários da carta, em determinado trecho, revelando o carinho com que Pindobal é tratado pelo povo mamanguapense.

Decorre da argumentação a certeza da existência de muita gente de bem, hoje, a exemplo da amiga Rosa Virgínia Lins, com fortes e positivos depoimentos a serem dados, em função da vida encaminhada ou reencaminhada nos bancos de PIndobal.

Creio, mesmo, que aquela experiência, que nos foi tão mal transmitida, um dia, possa receber cada vez mais apoio das autoridades, e, quem sabe, servir como belo argumento para um filme de elevado perfil artístico-educacional.

Pindobal, em Mamanguape, é memória pessoense, também.

Comentários postados no Facebook

Djair Lima: Gostei muito desta mensagem

Marcos Ubiratan Guedes Pereira: Ai nos anos 40 existia um furgão da polícia, todo preto, do qual diziam ser responsavel por levar todo menino apanhado brincando na rua para Pindobal. Nem precisa dozer o medo que causava , alem da carreira ao menor sinal da ” Viuvinha” , nome pelo qual era conhecido.

Walkyria Natália Guedes Pereira Vasconcellos: Marcos, este nome Jandira Mesquita lhe diz algo, relativo a Pindobal?

Marcos Ubiratan Guedes Pereira: Nao. De Pindobal eu so sabia que era uma prisao para meninos apanhados nas rua pela “Viuvinha” da policia.

Sergio Botelho: Conheci muito Jandira Mesquita. Da Reitoria.

Sergio Botelho: Mas, minha memória não liga Jandira a essa história…

Claudio Pereira: Pindobal chegou a formar até médico.

Claudio Pereira: Duas viaturas que assombravam os parcos marginais da época. Viuvinha e RP.

Rosa Virginia Lins: Pindobal teve várias histórias de crianças que saíram do Jesus de Nazaré para Mamanguape o exemplo mais atual o diretor atual é João Batista (agrônomo) egresso do Jesus de Nazaré e Pindobal …qd criança órfão ele e os irmãos acolhidos pela instituição…

Sergio Botelho: Rosa. Você, por acaso, teria alguma foto da época? Gostaria de incluí-la no livro. Abraço, e um feliz 2018 a você e sua família!

Lucia Menezes Fremder: A hei materia espetacular e como falo naquele tempo que. muitos achava ruim e vejo que o ruim pra muitos era a diciplina a ordem o respeito e a moralidade que existia as escolas publicas fucionava como este lugar que vc fala Pindobal era mais um lugar pra comcertar criancas preguicosa achei massa mais um escrito para meu livrinho beijo (vc sabe o nome da minha filha do meio foi dado por vc Janayna )

Sergio Botelho: Beijo, Lúcia. Obrigado pela lembrança! Uma excelente lembrança!

Leda Souto: Eu lembro desse lugar de ouvir falar. Um irmão chegou a ser mandado para esse lugar e fugiu kkkkk

Byra de Jacuman III: Excelente texto e esclarecedor, tirou me a imagem de campo de concentração holocausto paraibano

Walkyria Natália Guedes Pereira Vasconcellos: O que ouvi, através de meu pai,era que essa Escola.tinha muita disciplina, ordem e que reequilibrava jovens.Se não me falha a memória,essa Sra Jandira Mesquita era a responsável pelo bom nível . Posso estar me Referindo a um tempo diferente do seu texto

Walkyria Natália Guedes Pereira Vasconcellos: Sérgio Botelho tenha um bom 2018

Sergio Botelho: Muitas felicidades, paz e saúde, Walkiria, e para toda a família.

Sem categoria

Botafogo pode mudar direção de futebol.

Flickr: Paulo Autuori A Author Doha Stadium Plus Qatar
Flickr: Paulo Autuori A
Author
Doha Stadium Plus Qatar

Sérgio Botêlho

Leio notícia, agora, de que o Botafogo de Futebol e Regatas pode trocar Antônio Lopes por Paulo Autuori na direção do futebol do alvinegro carioca.

Não tenho elementos para julgar a administração de Antônio Lopes. Acho-o um cara sério. Mas, Autuori tem vínculos bastante fortes com o Glorioso. E também é um cara sério.

Não dá para reclamar muita coisa da gestão do futebol botafoguense neste ano de 2017. Mas, a saída de Camilo, a partir daquela indigitada negociação com Montijo, não nos fez bem.

Sem falar na saída de Sassá, para o Cruzeiro, que também não foi um bom negócio. Acho que deveria ter havido um trabalho maior para a recuperação do atacante.

Breve currículo

Paulo Autuori de Mello (Rio de Janeiro, 25 de agosto de 1956) é treinador de futebol brasileiro. Autuori tem formação em educação física (Universidade Castelo Branco), administração esportiva (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e curso de treinador de futebol (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Atualmente está sem clube.