Sociedade

Papa pede integração de imigrantes

Papa Francisco classificou neste domingo (14) como pecado que imigrantes e moradores dos países que os recebem se recusem a conhecer-se e integrar-se por um medo que, ainda que “legítimo”, não deve alimentar o ódio e a rejeição. A informação é a da Agência EFE. 

“Não é fácil entrar na cultura que nos é alheia, pôr-nos no lugar de pessoas tão diferentes de nós, compreender seus pensamentos e suas experiências”, declarou o pontífice em uma missa com refugiados realizada durante a Jornada Mundial dos Imigrantes.

Francisco disse que, perante esta dificuldade, “frequentemente renunciamos ao encontro com o outro e levantamos barreiras para defender-nos”.

“As comunidades locais, às vezes, temem que os recém-chegados perturbem a ordem estabelecida, ‘roubem’ algo que se construiu com tanto esforço. Mesmo os recém-chegados têm medos: temem a confrontação, o julgamento, a discriminação, o fracasso”, destacou.

O papa reconheceu que estes medos “são legítimos” por estarem baseados em “dúvidas que são totalmente compreensíveis do ponto de vista humano”.

No entanto, sustentou que duvidar “não é um pecado”, mas sim permitir que “estes medos determinem nossas respostas, condicionem nossas escolhas, comprometam o respeito e a generosidade, alimentem o ódio e a rejeição”.

“O pecado é renunciar ao encontro com o outro, com aquele que é diferente, com o próximo”, completou.

Francisco pronunciou esta homilia durante uma missa na basílica de São Pedro na qual participaram imigrantes e refugiados de 49 países diferentes que levaram suas bandeiras, assim como 70 diplomatas credenciados na Santa Sé.

Perante eles, o papa insistiu na necessidade de entendimento entre os imigrantes e as sociedades que os recebem e ressaltou que ambas partes devem “acolher, conhecer e reconhecer”.

Para os primeiros isto implica em “conhecer e respeitar as leis, a cultura e as tradições dos países que os acolheram”, bem como “compreender os seus medos e as suas preocupações em relação ao futuro”.

Os segundos, por sua parte, deveriam “abrir-se à riqueza da diversidade sem ideias preconcebidas, compreender os potenciais, as esperanças dos recém-chegados, bem como a sua vulnerabilidade e os seus temores”.

Na opinião do papa, o “verdadeiro encontro com o outro não se limita à acolhida”, mas envolve as três ações que já destacou em agosto na sua mensagem prévia à jornada de hoje: “proteger, promover e integrar”.

Por último, Francisco pediu uma “oração recíproca” entre refugiados e as comunidades locais.

Sociedade · Cultura · Internacional · Educação

ONU divulga guia com orientação favorável à igualdade de gêneros

Perto de completar dez anos, o guia “Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade”, voltado para legisladores que trabalham na elaboração de currículos escolares no mundo todo, teve esta semana sua edição atualizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Em sua nova versão, a publicação enfatiza uma educação em sexualidade mais abrangente e de qualidade, de forma a promover saúde, bem-estar, respeito aos direitos humanos e igualdade de gênero, empoderando crianças e jovens para uma vida mais saudável, segura e produtiva.

O guia foi publicado no Brasil em 2014 com o título “Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade para o Cenário Brasileiro”.

“Com base nas evidências científicas mais recentes, o guia ‘Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade’ reafirma a posição da educação em sexualidade com base em diretrizes de direitos humanos e de igualdade de gênero”, disse a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

“Promove a aprendizagem estruturada sobre sexualidade e relacionamentos de uma maneira positiva e centrada no melhor interesse dos jovens. Ao enfatizar os componentes essenciais de programas efetivos de educação em sexualidade, o guia permite às autoridades nacionais desenhar um currículo abrangente que tenha impacto positivo na saúde e no bem-estar dos jovens.”

O guia técnico foi criado para apoiar as políticas públicas dos países no desenho de currículos precisos e apropriados à idade correspondente, envolvendo crianças e jovens de 5 a 18 anos.

Com base em uma análise das melhores práticas no mundo, o guia mostra que a educação em sexualidade ajuda os jovens a se tornar mais responsáveis em sua atitude e comportamento no que se refere à saúde sexual e reprodutiva. Também é essencial no combate à evasão escolar de meninas provocada por gravidez ou casamento precoce.

De acordo com a UNESCO, a educação em sexualidade é necessária uma vez que, em algumas partes do mundo, duas em cada três meninas dizem não ter ideia do que acontece com seu corpo quando começam a menstruar, e as complicações no parto são a segunda causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos.

O documento também desmente teorias segundo os quais a educação em sexualidade aumentaria a atividade sexual, o comportamento de risco e as taxas de infecção por HIV. Também apresenta evidências de que os programas de abstinência sexual não conseguem evitar a iniciação sexual precoce ou reduzir a frequência de relações sexuais e de número de parceiros entre jovens.

A publicação identifica uma necessidade urgente de educação em sexualidade abrange e de qualidade para fornecer informações e orientações aos jovens sobre a transição da infância para a vida adulta e sobre os desafios físicos, sociais e emocionais que enfrentam nesse processo.

Também analisa outras questões de saúde sexual e reprodutiva, que são particularmente difíceis durante a puberdade, incluindo acesso a contraceptivos, gravidez precoce, violência baseada em gênero, infecções sexualmente transmissíveis, HIV e AIDS.

O documento foi produzido por meio de colaboração entre Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ONU Mulheres e Organização Mundial da Saúde (OMS)

FONTE: ONU

 

 

Economia · Política · Sociedade

Marcha dos municípios: CNM dá início às inscrições

CNM inicia inscrições para Marcha dos Municípios

O mais importante evento do ano do movimento municipalista já está com as inscrições abertas no site da Confederação Nacional de Municípios (CNM). A entidade orienta prefeitos, secretários, vereadores e demais agentes municipais para que confirmem a participação na XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios e programem antecipadamente o deslocamento e a estadia na capital federal entre os dias 21 e 24 de maio, período em que será realizada a mobilização.

A entidade reforça que os participantes precisam estar atentos às orientações em razão da dimensão do evento que reúne anualmente milhares de agente municipais de todo o Brasil. Por isso, a recomendação da CNM é no sentido de que a compra de passagens, bem como reservas de hospedagem e demais serviços de hotéis sejam confirmados o quanto antes para evitar problemas de última hora.

 

Uma novidade neste ano implementada pela CNM é que os participantes poderão fazer o pagamento da inscrição por meio de boleto bancário. Essa medida atende a pedidos de anos anteriores e pretende viabilizar a participação dos municipalistas no evento em Brasília.

Presidenciáveis

A realização da Marcha neste ano é avaliada como muito importante para discutir a pauta prioritária, alternativas para os Municípios diante do atual cenário de crise econômica e também por ser um ano de eleições gerais. Em outubro, serão conhecidos os novos representantes no Congresso Nacional, nos Estados e o presidente da República. Antes disso, os candidatos à presidência da República terão a oportunidade de apresentar as suas propostas aos prefeitos e demais agentes municipais durante a Marcha. Está previsto um espaço na programação do evento para que os postulantes possam interagir e debater as demandas municipais.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, reitera a importância da participação de todos os municipalistas na mobilização e reforça que esse será o momento para pedir o compromisso de todos com o municipalismo. “Aproveito para convidar os senhores para a XXI Marcha onde vamos dar um pulo mais significativo na pauta municipalista e tentar aliviar o sofrimento dos Municípios. Vamos cobrar dos candidatos a presidente, a deputado e a senador para que eles se comprometam com a nossa pauta e com isso vamos buscar avanços”, orientou.

Para facilitar o acesso às informações da Marcha, a CNM lançou o hotsite do evento na rede mundial de computadores, vinculado ao portal institucional da entidade. Na página online é possível ter acesso a programação preliminar, ao vídeo sobre o evento e a convocação de Ziulkoski, além das inscrições e das fotos da edição de 2017 e de contagem regressiva para a abertura do maior evento mundial de autoridades municipais.

Ziulkoski reconhece que a atuação das entidades estaduais e das microrregionais é fundamental para garantir o sucesso do evento. Diante disso, ele conclama os líderes municipalistas para trabalharem juntos e para promoverem a maior Marcha da história, com conquistas reais e vitórias que refletem diretamente na qualidade de vida da população brasileira.

FONTE: CNM

 

 

Cultura · Economia · Música · Sociedade

Vanessa da Mata usa cenário de Ilhéus e grava reflexões artísticas 

Vanessa da Mata em Ilhéus
Vanessa da Mata em Ilhéus

Não bastou ser mais um show na sua carreira. Foi preciso mais: registrar a beleza de Ilhéus, a força da cultura e da história da cidade. A cantora Vanessa da Mata está divulgando Ilhéus para os seus fãs em todo o mundo. No seu canal oficial no Youtube, uma rede social de compartilhamento de vídeos, ela postou na lista de “novos vídeos em janeiro”, a sua passagem pela cidade. Na praia revelou: “todo mundo canta. A pessoa que não canta, desconfio”.

No cenário paradisíaco das praias de Ilhéus, ela faz uma reflexão da sua arte. “A música é uma coisa incrível na vida de todo mundo e ficando pensando emocionada em saber que as pessoas pagam para ver me ver cantar, investindo o dinheiro delas ao que me dedico”, disse. Além das praias, cenas do filme mostram sua visita à Casa de Jorge Amado, à fazendas de cacau e à Catedral de São Sebastião, símbolos da cidade.

Um show – Vanessa da Mata realizou o show especial de reabertura da Concha Acústica de Ilhéus, localizada na Avenida Soares Lopes, no dia 15 de dezembro do ano passado, com seu novo espetáculo Caixinha de Música. Milhares de pessoas prestigiaram o evento, uma iniciativa do Governo da Bahia e da Prefeitura Municipal, que contou com a presença do governador Rui Costa, do prefeito Mário Alexandre e do vice-prefeito José Nazal.

Situada entre o Porto de Ilhéus e o Centro de Convenções, a Concha Acústica é o maior equipamento cultural público da cidade, com capacidade para quase 15 mil pessoas. Inaugurado em novembro de 1988, o espaço foi projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx na ideia de reurbanização da Avenida Soares Lopes. Mas, nos últimos anos, o equipamento ficou obsoleto. Agora, foi recuperado, passando a ser uma importante opção para shows populares na cidade.

Com informações da Prefeitura de Ilhéus

 

 

Sociedade

Na base do ‘eu tenho saudade de” ou “não tenho saudade de”, como planejar o “esse ano eu pretendo”?

Todo começo do ano a gente exercita desejos de mudança que começam com o esse ano eu pretendo… O mais comum é a gente pretender melhorar a saúde e ganhar dinheiro. Acho que não há duas variáveis pessoais mais interessantes, entra ano e sai ano, do que essas duas quando o assunto é ano novo.

Pensar o futuro é exercício que exige muita reflexão, mas, também que traz muito prazer. Principalmente porque, ao pensar o futuro, e pensar as prioridades da mudança, a gente se envolve de tal forma que passa a viver as quimeras como se já realizadas estivessem. E isso é motivo de contentamento.

Na construção desse futuro mudancista, convém pensar no que deu e no que não deu certo, anteriormente. Talvez seja melhor escrever dois tópicos e alinhar o que a gente fez nos últimos tempos. Dois tópicos tipo “tenho saudade de” e “não tenho saudade de”. Simples, assim. Aí, é só ir relacionando os fatos passados em um ou em outro item.

A vida, afinal, ela não deve simplesmente ser levada ao livre sabor dos acontecimentos. Planejamento, embora grande parte das coisas aí relacionadas não chegue a ser concretizado, é de fundamental importância para que haja o mínimo de controle sobre nossas próprias ações, em busca da felicidade.

Refazer o planejamento, constantemente, ao longo do ano, é outro fator imperativo, afinal de contas, a realidade acaba atuando de forma decisiva sobre a manutenção ou a permanência dos planos que fazemos logo no início de cada um dos períodos de 365 dias, avante, no calendário.

 

Sociedade · Violência

Combate à violência: estamos agindo certo?

Sérgio Botêlho

A violência abre o ano de 2018 no Brasil mostrando a cara de quem vai fazer muito mal durante os próximos 364 dias. Rio e Goiás abriram a temporada de mortos e feridos por conta da criminalidade.

Não creio que haja desafio maior para as autoridades do que o combate à violência. E não creio, também, que as formas usadas até agora possam, de repente, alcançar um sucesso que nunca conseguiram.

A olhos nus, e, também, nas estatísticas, a violência apenas tem aumentado, apesar de leis cada vez mais rigorosas e do Exército na linha de frente de um combate que não cabe exatamente ao papel previsto constitucionalmente às forças armadas.

Portanto, até agora o que se tem feito no Brasil para combater a violência é mais do mesmo: polícia nas favelas, muito criminoso preso, os mais perigosos, isolados, e cada vez mais definições precisas de novos crimes, na lei, capazes, por sua vez, de levar mais gente à cadeia.

A ineficácia do combate à violência tem, ainda, fortalecido discursos justificadores equivocados de mais abertura para a compra de armas, no país, supostamente para fazer com os cidadãos possam se defender dos criminosos. Na verdade, a pior saída de todas.

Ao mesmo tempo, critica-se sempre mais fortemente o Judiciário, com acusações a juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores como supostamente lenientes com o crime. O lado eficiente seria o da polícia, que prende, já que os juízes apenas soltam.

Para comprovar que a Justiça brasileira tem agido, de conformidade com a lei, é que o Brasil alcançou a expressiva marca, sem nenhum motivo para orgulho, de segundo país do mundo em número de presos, estes, amontoados em cadeias públicas e penitenciárias superlotadas.

Por outro lado, a polícia é a parte mais sacrificada nessa guerra insana e ineficiente contra as drogas, onde se continua apenas enxugando gelo. Todos os dias morrem policiais, difíceis de serem recrutados e treinados, o que não acontece com a tropa de traficantes.

Na verdade, a miséria é o espaço onde a violência costuma recrutar mais soldados. Quanto mais miséria, maior é o exército de reserva para a criminalidade. Todos os dias, novos assaltantes e traficantes ingressam no mundo do crime, suprindo, com vantagem, os que morrem ou são presos. A miséria não para, e o tráfico, também.

Algumas perguntas tão antigas quanto a vontade populista de levar mais gente ainda às cadeias continuam se impondo. Em primeiro lugar: o que estamos fazendo concretamente para reduzir as desigualdades sociais e regionais, no Brasil?

Outra pergunta: temos uma política correta, do ponto de vista do combate efetivo ao crime, a partir de nossa legislação antidrogas? Ou, ao invés de procurarmos aumentar os rigores da lei, já cabalmente revelada como medida ineficiente, não seria necessária a descriminalização das drogas?

Para os que consideram que a proposta de descriminalização das drogas não conseguirá por um fim ao consumo, se impõe outra pergunta: em que ano e onde houve queda no consumo de drogas, no Brasil, com a atual política para o setor?

Diferentemente disso, o que existe no Brasil, mesmo com todo o rigor da lei, é uma quantidade cada vez maior de gente na cadeia, e, mesmo assim, cada vez mais gente traficando drogas, porque tem cada vez mais gente consumindo, cada vez mais gente na miséria, num ciclo que não se esgota, nunca. Apenas, se expande.

O que seria mais importante, agora, dentro de uma política de redução de danos, diminuir o consumo ou trabalhar para desmantelar o tráfico, reduzindo, ao mesmo tempo, milhares de mortes de consumidores e, ainda, de gente inocente, nas mãos de traficantes impiedosos frente ao não pagamento das drogas?

Creio que essas são perguntas que continuarão sendo feitas, em 2018, e que devem ser respondidas com o máximo de pragmatismo possível, sem conjecturas hipócritas ou eleitoreiras, ideológicas ou meramente de cunho religiosas.

Isto, se quisermos tirar o Brasil desse quadro dantesco, do ponto de vista da violência instalada do Oiapoque ao Chuí.