Internacional · Justiça

Marielle vira símbolo e questão de honra do mundo livre

Sérgio Botêlho

Segundo noticia o portal de O Globo, há homenagens a Marielle e a seu motorista Anderson, hoje, em vários pontos do Rio, mas, também, de outras cidades do país. Há registros de homenagens também pelo mundo.

A morte de Marielle transcende, portanto, o Rio e o Brasil, e ganha Planeta. Não se trata apenas do assassinato de uma cidadã, por si, só, um fato deplorável. Mas, por todas as características, trata-se de um atentado contra a democracia.

Um atentado contra a democracia naquilo que o Ocidente mais festeja, na peleja diária contra todas as formas de ditaduras e tiranias, que é a liberdade de expressão de pensamento. Não é à toa que a França, a cada atentado terrorista, retruca com símbolos da liberdade.

São esses símbolos da liberdade – expressos pelo modo de viver do mundo livre, e pelo culto à democracia, que Marielle representava tão bem – que estão em jogo no caso da vereadora carioca, com uma trajetória de vida que é muito cara, enquanto emblema, às democracias.

Do emblema que falo é o da possibilidade de alguém ascender ao topo da pirâmide social, via democracia e liberdade econômica. Marielle nasceu no morro e concluiu Mestrado em instituição respeitada, que é a Federal Fluminense.

Antes da Federal Fluminense, Marielle terminou, por conta de bolsa de estudo, o curso de graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Enfim, tornou-se a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, com provável futuro político brilhante pela frente.

É esse muito provável futuro brilhante, e sua atuação parlamentar, no presente, que provocou a ira dos seus assassinos, conforme já havia adiantado o general comandante da Segurança Pública do Rio de Janeiro, e vem sendo confirmado a cada novo passo das investigações.

São essas investigações que não podem parar até a prisão dos assassinos de Marielle. Está em jogo, volto a lembrar, os princípios que forjaram a democracia, no mundo, baseados, esses princípios, nos da liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa de 1789.

Foi nos princípios que fizeram a Queda da Bastilha que se forjaram as democracias norte-americana, inglesa, enfim, do mundo livre como um todo, e que sempre são brandidos quando se trata de combater os autoritarismos nas suas mais diversas manifestações.

Contra esses autoritarismos – que podem, sempre que há uma Marielle assassinada, mostrar suas garras e poderio -, é que a morte da vereadora carioca tem de ser desvendada e os facínoras que a praticaram devidamente punidos.

Com essa punição, não se vai trazer Marielle de volta. Mas, com certeza, será um ponto a favor da democracia e da chance de outras Marielles surgirem dos morros, atravessarem os bancos da faculdade, e se tornarem canais de valoração dos princípios das liberdades democráticas.

Por buscar a valoração das liberdades democráticas é que a necessidade de punir a morte de Marielle ganha dimensão tão ampla. É a dimensão do próprio sentido de existência do mundo livre, que transformou a punição de seus {de Marielle} assassinos em questão de honra.

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