Botafogo pode mudar direção de futebol.

Flickr: Paulo Autuori A Author Doha Stadium Plus Qatar
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Doha Stadium Plus Qatar

Sérgio Botêlho

Leio notícia, agora, de que o Botafogo de Futebol e Regatas pode trocar Antônio Lopes por Paulo Autuori na direção do futebol do alvinegro carioca.

Não tenho elementos para julgar a administração de Antônio Lopes. Acho-o um cara sério. Mas, Autuori tem vínculos bastante fortes com o Glorioso. E também é um cara sério.

Não dá para reclamar muita coisa da gestão do futebol botafoguense neste ano de 2017. Mas, a saída de Camilo, a partir daquela indigitada negociação com Montijo, não nos fez bem.

Sem falar na saída de Sassá, para o Cruzeiro, que também não foi um bom negócio. Acho que deveria ter havido um trabalho maior para a recuperação do atacante.

Breve currículo

Paulo Autuori de Mello (Rio de Janeiro, 25 de agosto de 1956) é treinador de futebol brasileiro. Autuori tem formação em educação física (Universidade Castelo Branco), administração esportiva (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e curso de treinador de futebol (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Atualmente está sem clube.

MEMÓRIA PESSOENSE: Paraibambu

Sérgio Botêlho
Há acontecimentos que poderiam apenas ser relacionados a simples movimentações empresariais ou culturais, mas, que, diferentemente disso, nada têm de corriqueiros, porque, na verdade, são cercados de muitos mistérios.
Um desses acontecimentos – com parte da história já abordada nessas memórias pessoenses – foi o bar e restaurante Paraibambu, projetado para substituir a Churrascaria Bambu, derrubada, em 1973, pelo então prefeito pessoense Dorgival Terceiro Neto.
O Paraibambu foi construído no Parque Arruda Câmara completamente deslocado da geografia urbana em que existia a Bambu (no Parque Solon de Lucena), e muito diferente, em formato e apelo, do que fora o equipamento de lazer extinto.
Apesar de toda essa carga desmobilizadora com que o Paraibambu foi apresentado ao distinto público, o local acabou se transformando em um point, embora com menor frequência daquela que um dia alcançara a Bambu, pois tinha os seus encantos.
O novo ambiente era aconchegante por sua iluminação, quase à meia-luz, mesas que guardavam alguma reserva a seus ocupantes, enfim, por um conjunto de particularidades que acabaram fazendo do Paraibambu um local interessante.
Pontificaram, nos primeiros anos do empreendimento, conjuntos musicais mais voltados para a bossa-nova, como o constituído por Fernando Aranha, ao piano, Dedé do Sax, Wilson, no contrabaixo, e Carlinhos, na bateria.
Aldemir Sorrentino, outro pianista famoso da época, em João Pessoa, aqui e acolá dava uma canja no Paraibambu, consolidando o aspecto mais tranquilo e calmo do local, em contraposição à forte movimentação da Bambu.
Sob as bênçãos do Parque Arruda Câmara, e seu maravilhoso ambiente preservacionista, o Paraibambu sobreviveu, com alguma glória, por um certo espaço de tempo, sendo local privilegiado para comemorações coletivas de diversas procedências, além de abrigo a casais.
Porém, não conseguiu resistir, com a mesma frequência, por muito tempo. Aliás, como acontece boa parte dos negócios em João Pessoa, especialmente aqueles postos a funcionar no Centro da cidade.
Por sua ligação com fatos da história econômica e social de João Pessoa, contudo, bem merece ser lembrado nessa série que compõe nossa memória pessoense. O Paraibambu, com certeza, está em escaninho privilegiado nas recordações de vida de muita gente.

MEMÓRIA PESSOENSE: Pascoal Carrilho

Sérgio Botêlho
 O rádio paraibano possui figuras históricas que ainda hoje motivam conversas saudosas e enchem de curiosidade os que fazem mídia no estado. Motivos variados fizeram a fama de muitos profissionais que passaram pelos microfones da Tabajara, da Correio ou da Arapuan. 
 A rádio Tabajara, especialmente, tem a maior reserva histórica desses profissionais. Com certeza, por ser a mais antiga e a que experimentou tempos memoráveis de glória na chamada Era do Rádio.
 (Abro um parêntesis para lamentar a pouca preocupação dos que faziam rádio na Paraíba em preservar a própria história. Há uma dificuldade enorme quando se trata de buscar gravações sobre a passagem dessas figuras relevantes pelos microfones da radiofonia paraibana. Aqui e acolá você encontra alguma coisa preservada com vozes e momentos importantes do nosso rádio. É comum, no entanto, nada ser encontrado sobre essas passagens históricas. A maioria das histórias é preservada pela chamada memória oral).
 Pois bem. Nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado pontificou no rádio paraibano, precisamente na rádio Tabajara, um radialista de marca maior e histórias deliciosas e fantásticas chamado Pascoal Carrilho. Dele, contam-se dezenas de situações em que o profissionalismo se misturava com romantismo, saudável amadorismo e agudo senso de humor.
 Um dia entrevistei (eu comandava um programa aos sábados chamado Cultura e Lazer) nos microfones da Tabajara o nosso saudoso Golinha, dos Mirandas, outro que fez época na história de João Pessoa, ele e seu irmão Floriano, à frente dos Quatro Loucos. Na oportunidade da entrevista, Golinha estava acompanhado de Hugo Guimarães (Huguinho), que também militou no conjunto Os Gentleman, na mesma época dos Quatro Loucos. Durante a conversa no ar, ao vivo, Golinha contou histórias extraordinárias e hilárias do nosso herói Pascoal Carrilho.
 Uma dessas histórias, que terminaram provocando gargalhadas intermináveis no estúdio, foi a seguinte: Quando a Tabajara ainda funcionava ali na esquina da Palmeiras (Rodrigues de Aquino) com a Almeida Barreto havia uma íngreme escadaria que levava aos estúdios, no segundo andar do prédio da rádio. Vizinho à emissora funcionava providencial barzinho com tira-gostos de livrar, qualquer um, das preocupações de tempo e espaço. Bem perto da hora de entrar no ar o seu programa, Pascoal ainda se deliciava com uma branquinha amparada num caldinho de feijão.
 E a turma gritava lá de cima: – Pascoal, o programa vai entrar no ar!
 Pascoal pedia calma e ao mesmo tempo uma saideira.
 – Pascoal, não dá mais tempo!
 – Espera aí, rapaz!
 E em cima da hora, Pascoal subiu desembalado a escadaria de quase 90 graus. Quando entrou no estúdio, acendeu a luz vermelha: NO AR.
 E, aí, ele, ofegante, improvisou um testemunhal sobre penicos: – Caaagaaar a gente caaaga em toodo caaanto. Agoora, caaagar com cooonfoorto sóóó nos peniiicos (aí, deu a marca dos penicos, que não consigo lembrar, agora). kkkkkkk
 Imagine o terror na direção da rádio.
 Mas, afora esses lances folclóricos, junto a muitos outros atribuídos a Pascoal Carrilho, ele comandou durante muito tempo programas de estúdio e de auditório na Rádio Tabajara, tendo recebido nomes famosos da Era do Rádio no Brasil. 
 Dessa forma, a fama de Pascoal Carrilho ultrapassou as divisas da Paraíba e do Nordeste, se estendendo ao Sul e ao Sudeste do país. Assim, o espírito pessoense é impossível de ser devidamente apreendido sem que figuras como Pascoal Carrilho, e suas histórias, sejam lembradas.

MEMÓRIA PESSOENSE: O Maravalha

MEMÓRIA PESSOENSE: O Maravalha

Sérgio Botêlho

Em meio à década de 70 ergueu-se um equipamento de lazer na orla marítima de Tambaú que acabou fazendo história na capital paraibana. O moinho de idéias chamado Willis Leal, descendente em linha direta de José Leal, decano da imprensa paraibana, foi o responsável. Homem ligado à história do jornalismo, do cinema e do turismo peessoense, celibatário por convicção, junto a outros da mesma orientação, fundaram o Clube dos Solteiros. A expressão física maior desse clube acabou sendo o Maravalha Praia Clube, na Avenida Tamandaré, zona central das praias urbanas pessoenses.

O Maravalha situava-se vizinho ao Edifício Cannes, tendo promovido durante sua existência, que não foi tão longa, lamentavelmente, festas homéricas reunindo associados e convidados. Na parte da frente, ocupando generoso terreno, estavam as mesas para servir a quem bem quisesse e entendesse no dia a dia da vida boêmia e turística de Tambaú. A localização e a mística do Maravalha atraiam centenas de fregueses, celibatários ou casados, especialmente nos finais de semana, quando Tambaú, como ainda hoje acontece, recebia milhares de frequentadores em suas areias.

No Maravalha predominava a música eletrônica, mas, nos finais da tarde, era comum rodas de violão em suas mesas, acompanhadas por batuqueiros improvisados. A festa do dia, comumente, entrava pela noite, muitas vezes, para desespero dos vizinhos do Cannes. A alegria predominava no Maravalha, tendo se transformado em um dos points turísticos de João Pessoa naquela época. Aliás, registre-se que eram poucas as ofertas nesse setor na capital paraibana daqueles tempos.

De onde Willis tirou o nome de Maravalha, há pistas. Na cidade de São Miguel de Taipu, a história registra o Engenho Maravalha, da família Lins, certamente parentes de José Lins do Rego, que também era filho dos engenhos paraibanos. Nascido há menos de 100 quilômetros das terras do Engenho, mais precisamente em Alagoa Nova, Willis Leal pode ter ido buscar por ali a sua inspiração, ou sido motivado por alguns dos fundadores do Maravalha, descendente direito dos Lins de São Miguel do Taipu. Mas, vivinho da silva, ele próprio, pode informar com certeza sobre a origem do nome que deu ao Clube dos Solteiros.

Só sei dizer que, seja lá como tenha sido, o Maravalha foi desses ambientes do lazer pessoense que marcaram época, deixando saudades, até hoje. E, tanto assim, que ainda domina a nossa memória sobre a João Pessoa de algumas décadas atrás. Justamente quando se estava construindo o viés turístico da cidade, rumo a uma vocação da qual, apesar de natural resistência do pessoense, vai se firmando irresistivelmente. E, nessa construção, Willis Leal, seus companheiros de então, e o Maravalha, têm lugar de destaque.

Racismo e preconceito: males que nos afligem

Contra o preconceito e o ódio
Foto do site http://www.grupoescolar.com/

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião”. Foi o que, repetindo Mandela, o grande líder contra o apartheid da África do Sul, o ex-presidente norte-americano Barack Obama postou no twitter, para sucesso absoluto de seu post, referindo-se às manifestações racistas em Charlottesville, na Virgínia.

A frase, que encerra uma verdade inquestionável, lembra que nenhuma criança nasce racista ou radical religioso; isso, até que a família e a sociedade o modifique. Ou seja: havendo ambiente saudável de respeito às diferenças de crença ou de cor da pele, jamais uma criança se tornará um adulto racista ou excludente religioso.

A luta contra o apartheid na África do Sul, e, um pouco antes, no próprio Estados Unidos da América, na sangrenta cruzada universal contra o nazifacismo, ou nos embates contra o terrorismo que se utiliza da religião para agir, embora não devesse, parece muito distante, ainda, de construir uma consciência efetivamente universal de respeito às desigualdades.

Com efeito, não apenas nos Estados Unidos da América, mas, em diversos países do mundo, grupos radicalizados defensores de exclusivismos político, de gênero, religioso ou de cor da pele, agem, normalmente, com extremadas manifestações de ódio e violência para impor suas esquisitices.

Não é pessimismo considerar que ainda por muito tempo essas manifestações continuarão a pontificar mundo afora. E o que é pior: produzindo vítimas na esteira de espetáculos invariavelmente bizarros, desumanos e, mais do que tudo, extemporâneos, e, apenas, ridículos se não fossem trágicos.

Fora da casinha, esse tipo de pensamento exclusivista não agride apenas as consciências socialistas e libertárias. Agride, também, a própria construção do liberalismo econômico que, para que tenha sucesso, necessita indiscriminadamente de todas as cabeças pensantes, pertençam a que religião, a que gênero ou a que cor da pele pertencerem.

O racismo e o preconceito são raciocínios absolutamente nocivos ao futuro da Terra, uma vez que podem nos encaminhar, por conta do irracionalismo e da radicalização de seus atos, se necessário for, a uma guerra sem fim, não importando, para eles, se, ao fim e ao cabo, a humanidade vai sucumbir.

Penso que, quanto mais esse tipo de posicionamento for contestado, menos chance terá de continuar crescendo. Denunciar o racismo, o ódio e o preconceito, pois, deve ser obrigação de todos aqueles que amam a liberdade e acreditam em um futuro mais feliz e mais próspero pata a humanidade como um todo.

Sérgio Botêlho

 

 

Liberdade e democracia devem ser as armas da resistência ao ódio e ao terrorismo

Os iluministas na construção da liberdade e da democracia
Os iluministas na construção da liberdade e da democracia

Há, nos últimos dias, uma lista de acontecimentos trágicos a perturbar a paz na Terra, por que atentam contra os princípios humanos mais básicos do respeito à vida, e, principalmente, ao direito à liberdade e à democracia.

Em sua totalidade, os mais recentes episódios com mortos e feridos têm origem no ódio e no preconceito, sentimentos que deveriam ser estranhos ao humano. Mas, que, infelizmente, não é assim que acontece.

Os fatos sangrentos mais recentes ocorreram em Charlottesville, cidade considerada, até semana passada, o melhor lugar para se viver nos EUA, em Barcelona, metrópole de dezenas de línguas, na Espanha, em Ouagadougou, capital de Burkina Faso e em Surgut, na Sibéria.

Atentados anteriores nos Estados Unidos, na França, na Grã-Bretanha, na Suécia, em Berlim, em Bruxelas, na Dinamarca, em países africanos e no Oriente Médio, seguem o mesmo script terrível: grupos religiosos e/ou ideológicos se acham no direito de exterminar quem não pensa como eles.

Não diferem, em absolutamente nada, nem na forma de agir, com experiências autoritárias, ou bem perto disso, como na Coreia do Norte, na Venezuela, em alguns países árabes e africanos, ou na América Latina de tempos atrás.

Seja qual lado defendam, os extremistas raciocinam de forma idêntica: nós, que estamos certos, somos donos da Verdade, ou por revelação ou por inteligência, temos de nos livrar, seja lá como for, daqueles que ainda não tiveram a suprema iluminação de pensarem iguais a nós, ou por que são “burros” ou por que são “mal influenciados”.

Daí, tratam simplesmente de tirar de circulação ou de eliminar os adversários “burros” ou “mal influenciados” do caminho, pela cadeia ou pela eliminação física. No caso do terrorismo, um objetivo tático a mais: levar, pelo assassinato de inocentes, o pânico e o medo ao campo adversário.

É mais do que tempo de os indivíduos de boa vontade agirem contra o ódio e a intolerância, seja ela que matiz ideológica ou religiosa venha a ter, por que a violência e o autoritarismo nunca construíram e jamais irão construir algo de importante para o futuro. Apenas se dedicam a destruir.

Mesmo com todas as guerras já acontecidas, e alvo constante de ataques terroristas, e, ainda, com todos os defeitos naturais às comunidades humanas, o Ocidente é o que é hoje na Ciência e na Tecnologia exclusivamente por conta do respeito que ainda mantem pela liberdade.

A crescente corrente em favor do respeito à diversidade humana vem fazendo com que a ciência e a economia possam desfrutar das melhores cabeças para novas descobertas científicas, novas tecnologias, novos modelos econômicos, e novas práticas de negócios. Enquanto países autoritários excluem, e perdem inteligências, o Ocidente busca sempre mais incluir, aproveitando todo a inteligência à disposição.

Não é possível vencer mais essa quadra obscura da humanidade sem isso, quer dizer, sem a defesa cada vez mais intransigente da liberdade e da democracia, pois foi assim que viemos nos construindo nos últimos séculos e é assim que continuaremos a construir o futuro.

Corajoso e determinado, o presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, em meio ao luto no país, declarou que a resistência do seu país ao terrorismo se dará exatamente com democracia e liberdade, como realmente deve ser.

Nas ruas, o povo espanhol chora os seus mortos, mas, destemido, aproveita para declarar amor incondicional à liberdade e à democracia, assim como já fizeram os povos franceses, belgas, ingleses, e muitos outros, em situações semelhantes.

Liberdade e democracia, cada vez mais ampla, geral e irrestrita, deve ser a palavra de ordem a conduzir nossa rebeldia permanente contra o ódio e a violência como forma de estabelecer crenças ideológicas ou religiosas. Creio que é assim que devem agir todos os que creem num futuro melhor, ao menos, para os nossos netos.

Sérgio Botêlho

 

 

MEMÓRIA PESSOENSE: Foto Condor, de Ariel e Arion

Sérgio Botêlho

Não tinha quem não parasse para olhar aquelas imagens bizarras expostas do lado de fora do laboratório de fotografia de Ariel e Arion (com nome de fantasia de Foto Condor). Tanto podia ser um inhame disforme e gigante quanto um porco que nasceu com cara de gente.

Hoje, nos tempos do Adobe Photoshop, montagens assim são cafés pequenos para os versados no programa. Quero ver naquele tempo de técnicas ainda primárias de revelação de filmes, com muita química e salas escuras!

Aliás, tem muita gente que, ainda hoje, prefere as fotografias em preto e branco, a especialidade dos dois, pai e filho. Com efeito, em termos artísticos, não há comparação entre uma foto em preto e branco e outra colorida, quando se trata de jogo de sombras.

Realmente, não tem parelha, em termos de beleza, apreciar os detalhes de um anoitecer urbano, e chuvoso, com um rio e uma mata ao fundo, isto, em preto e branco. Tudo tem que ser trabalhado com muita arte, durante a revelação e a utilização dos químicos, para um resultado de qualidade.

Pois bem. Nos tempos de Ariel e Arion, havia outros laboratórios de fotografias em João Pessoa, ainda hoje vivos na memória dos remanescentes daqueles tempos. Por exemplo: o Foto Lira, vizinho ao Rex. Outro: o Foto Stuckert, entre a Igreja da Misericórdia e o Ponto de Cem Réis.

Os descendentes de Lira não seguiram a profissão do pai. Mas, os descendentes de Stuckert, sim. Há dois jovens irmãos, ambos Stuckert, descendentes do paraibano, que trabalham em Brasília com reportagem fotográfica, ramo jornalístico da fotografia.

Tinha ainda o Foto Nuca e o Foto Estrela, localizados na Treze de Maio, segundo me lembra o sempre atento Lelo Cavalcanti. Havia outros, mas, esses eram os mais festejados. Porém, apenas Ariel e Arion, se a memória não me falha (e peço auxílio de conterrâneos da época) expunham essas fotos, assim, em frente ao prédio onde funcionava o estúdio fotográfico de pai e filho, ali na Miguel Couto, bem pertinho da Visconde de Pelotas, prédio em que, hoje em dia, funciona barbearia bem frequentada.

Ainda hoje fico sem saber direito se a intenção era chocar os transeuntes ou apenas demonstrar vocação mais apurada pela foto-notícia. Ou apenas chamar a atenção para o estúdio dos dois. Seja lá qual fosse a intenção, Ariel e Arion acabaram marcando época na fotografia de João Pessoa.

Fico a imaginar o quanto eles gastavam em dinheiro ou em sola de sapato para correr atrás dessas imagens, muitas vezes, gravadas longe de João Pessoa. Muitas dessas fotos, inclusive, foram parar nas páginas dos jornais diários que circulavam na Capital paraibana.

Não me consta que eles tenham amontoado riqueza com a arte, mas, ambos, fazem parte da história do cotidiano pessoense, para sempre.

(Do livro “Não mora mais ninguém na minha rua”, que segue no prelo)